VLT Carioca: um passeio pelo Rio a bordo do Bonde Elétrico

Conheça a região central do Rio, onde reúne histórias, modernidade, mobilidade e passeio público.
*Atualizada em 11/04/2026.

O Rio de Janeiro continua lindo… assim diz a canção do artista Gilberto Gil lançada em 1969. Atualmente, a Cidade Maravilhosa continua atraindo turistas de todo o Brasil e do mundo. Um privilégio para conhecer muito bem as belezas, histórias, eventos e outros atrativos que a cidade oferece.

Histórias e muitas arquiteturas fazem parte da cidade, principalmente na região central, com belos prédios antigos, ruas estreitas históricas e museus. Em paralelo, a modernidade, com belíssimas construções e muitos arranha-céus que podem ser vistos de longe e chamam atenção pela moderna arquitetura e ousadia nos detalhes.  

Essa modernidade “ganhou o chão” com um transporte que já fez parte da história da cidade do Rio: o bonde. Mas, dessa vez, ele ressurge mais tecnológico, elétrico e com mais composições. No dia 05 de junho de 2016 foi inaugurado o VLT Carioca, na gestão do ex-prefeito do Rio, Eduardo Paes (no ano das Olimpíadas na cidade). Um grande presente para moradores e trabalhadores, além dos turistas, que utilizam o Bonde para se deslocarem entre as atrações turísticas da região. A chegada do moderno sistema de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), permite a conexão entre a Zona Portuária e o Centro do Rio.

Estação “Praça XV” do VLT Carioca.

 

São 4 (quatro) linhas operando no sistema VLT Carioca, sendo elas:

Linha 1 (Azul) > TIG – Terminal Intermodal Gentileza (ao lado da Rodoviária do Rio) para Santos Dumont (Aeroporto), passando pela região do Santo Cristo, Rodoviária, Gamboa, Praça Mauá, Centro, Candelária, Carioca, Cinelândia e Aeroporto Santos Dumont. 

Linha 2 (Verde) > Praia Formosa até a Praça XV, passando pela Rodoviária, Gamboa, Central do Brasil, Saara, Centro e Praça XV.

Linha 3 (Amarela) > Central do Brasil para Santos Dumont, passando pelo Centro, Candelária, Carioca, Cinelândia e Aeroporto Santos Dumont.

Linha 4 (Laranja) > TIG – Terminal Intermodal Gentileza até a Praça XV, passando pela região do Santo Cristo, Rodoviária, Gamboa, Central do Brasil, Saara e Praça XV.

Outras informações no site do VLT Carioca, administrado pela concessionária Motiva (aqui).

Segundo a concessionária, “as estações e paradas do Veículo Leve sobre Trilhos tem cerca de 20 cm de altura, niveladas com as composições, e são dotadas de rampas suaves e antiderrapantes que facilitam o acesso de pessoas portadoras de necessidades especiais. Cada plataforma dispõe de entrada nas extremidades e são dotadas em toda sua extensão de linha de piso podotátil, faixas em alto relevo que facilitam a locomoção de pessoas com deficiência visual”. 

“Parada dos Navios” do VLT. Foto: arquivo I. Route.

 

Ainda segundo a concessionária que administra o serviço, os bondes possuem um víeis sustentável: “integrado à operação urbana Porto Maravilha, o VLT Carioca é um modelo sustentável de transporte. Movido à eletricidade, ele preserva a identidade do Rio ao oferecer a opção de Alimentação Pelo Solo (APS) com energia captada por meio de um terceiro trilho instalado entre os trilhos de rolamento do trem, dispensando o uso de fiação aérea (catenárias)”. 
 
E a ausência dessa fiação aérea deixa a paisagem mais limpa, sem aqueles fios espalhados por todo o trajeto como os demais sistemas de VLT espalhados pelo mundo. O VLT Carioca é um dos mais modernos e os trens foram fabricados pela empresa Alstom. O Rio de Janeiro foi a primeira cidade do Brasil a ser equipada com um sistema completo de VLT. 
 

PONTOS TURÍSTICOS

Saindo da Rodoviária do Rio, pela parada do VLT de mesmo nome, seguimos em direção à Praça XV, pela Linha 2. O embarque é feito com o pagamento dentro da composição do VLT aproximando o cartão “Jaé” (para Cariocas e turistas), no valor de R$ 5,00 ou com o cartão Riocard Mais com o benefício do Bilhete Único Intermunicipal (BUI – apenas para usuários da tarifa de integração com um modal intermunicipal). O Cartão “Jaé” pode ser adquirido nas paradas ou estações do VLT Carioca ou através do aplicativo para smartphone (clique aqui e saiba mais). Lembrando que o cartão é de uso individual e poderá ser solicitado para fiscalização durante a viagem, assim como o ‘QR Code’ do pagamento da passagem pelo aplicativo.  

Praça Duque de Caxias e prédio da Central do Brasil vistos do VLT.
 
 
A viagem segue ao lado da Via Binário do Porto, uma área cercada de prédios novos após a revitalização da região, que passou a contar com novos hotéis, prédios comerciais e apartamentos residenciais. Depois da parada “Vila Olímpica”, o bonde elétrico do VLT atravessa um túnel que dá acesso a parada “Central do Brasil”, passando ao lado do Morro da Providência: a primeira favela do Brasil, que completa 129 anos de história em 2026.
 
Parada do VLT na Saara.

 

Durante o trajeto, o VLT na linha 2 passa às margens do Pólo SAARA: formado por 11 (onze) ruas nas adjacências da Rua da Alfândega, um dos principais centros de comércio de rua da cidade do Rio de Janeiro. A região foi originalmente ocupada por imigrantes de diferentes nacionalidades no final do século XIX, que montaram pequenos negócios para o sustento das famílias. A arquitetura antiga das lojas que compõem o Pólo ainda está preservada, mantendo a mesma aparência da época. O local possui uma variedade de lojas de roupas, brinquedos, entre outros tipos. O Saara está na região de alguns pontos turísticos e locais importantes do Centro da cidade, como o Campo de Santana, Praça Tiradentes, Biblioteca Parque, Real Gabinete Português, Teatro  Carlos Gomes, Teatro  João Caetano e algumas igrejas históricas, sendo católicas, como a Igreja da Candelária e uma igreja protestante, como a Catedral Presbiteriana Rio (de 1934, com uma arquitetura neogótica e Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco). 
Adicionar marcadormapa.

PRAÇA XV: com a demolição do Elevado da Perimetral (1978-2014) que passava por cima da Avenida Rodrigues Alves, a Praça XV ganhou um novo visual. A região foi revitalizada, abrindo espaço para um amplo passeio público em meio aos prédios e construções históricas. E também recebeu uma estação do sistema VLT Carioca. A Linha 2 (Praia Formosa – Praça XV) e posteriormente, em 30 de março de 2024, a chegada da Linha 4 (Terminal Gentileza – Praça XV), trouxe modernidade e conectividade para a região. A estação final das linhas 2 e 4 do VLT ficam ao lado da Estação das Barcas (site), que faz a ligação entre Niterói e o Rio de Janeiro, separadas pela Baía de Guanabara.
Adicionar marcadormapa.

A região possui umas lojas de conveniência, pipoqueiros, entre outros. Em uma das lojas ao lado das Estações das Barcas, é possível encontrar o tradicional e famoso “Biscoitos Globo”, um clássico do Rio de Janeiro, feito de polvilho, nas verões doce e salgado. A história dos Biscoitos Globo teve início no ano de 1953, mas foi no ano seguinte que os biscoitos começaram a fazer sucesso na capital fluminense. A sua produção e venda continuam, podendo  ser encontrado  por toda a cidade até os dias atuais (@biscoitogloboreal). 

Foto: internet.

 

A região da Praça XV recebe aos sábados (06h às 15h) a maior Feira de Antiguidades e Artes da América Latina, desde 1976: a famosa “Feira da Praça XV”. Organizada por Raphael Barbeito, a Feira recebe mais de 400 expositores com antiguidades, artes, brechós, colecionismos e curiosidades. É a Feira de Antiguidades mais antiga do Brasil. Ela fica localizada ao lado do Paço Imperial, no Centro do Rio.  

CENTRO CULTURAL PAÇO IMPERIAL: poucos metros à frente das estações VLT Carioca e das Barcas, está situado o famoso Paço Imperial, que também fica localizado na região da Praça XV de novembro. Construído em 1743, foi usado primeiramente como Casa dos Vice-Reis do Brasil. 

Com a chegada da Corte de D. João VI ao Rio de Janeiro, o Paço se transformou em sede dos governos do Reinado e do Império. Após a Proclamação da República, nele foram instalados os Correios e Telégrafos. Em 1938, foi tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e hoje é um dos marcos da história cultural da cidade do Rio. 

Desde 1985, o Paço Imperial é um centro cultural vinculado ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, do Ministério da Cultura, e oferece exposições incríveis durante todo ano com entrada franca. Em 2026 está com uma exposição especial:Constelações – 40 anos  do Paço Imperial, com curadoria de Cláudia Saldanha, Ivair Reinaldim e equipe do Paço Imperial. A exposição é fundamentada em uma seleção de obras de artistas de diferentes gerações que passaram pela instituição. Além disso, a presença de mostras internacionais e de outros projetos brasileiros fazem parte da exposição até 07 de junho de 2026.

Na foto abaixo – Exposição de Ana Hortides: arquitetura do subúrbio carioca. Foto: Ana Carla Pereira/Iphan – divulgação/internet.

Vale uma visita e conferir as exposições. Há opções de gastronomia com o “Bistrô do Paço” e o “Entrepasso gastronomia”. Há biblioteca e loja de artigos e livros. Recomendável reservar um bom tempo para passear e conhecer melhor o Paço Imperial. O horário de funcionamento é de terça-feira à domingo, das 12h às 18h, com entrada franca. Outras informações no site (aqui) ou pelo telefone (21) 2215-2093.Adicionar marcadormapa.

Antiga sede da ALERJ, vista do Paço Imperial.

 

Aproveite e visite a Igreja Católica de Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé, que fica do outro lado da Rua Primeira de Março e da Rua Sete de Setembro, bem próxima do Paço Imperial e da antiga sede da Alerj (Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro). A Igreja foi construída pouco depois da chegada dos portugueses no Brasil e tem estilo rococó. A Igreja recebeu os casamentos reais da época, como da Princesa Isabel com o Conde D’Eu, em 15 de outubro de 1864. Visitação gratuita. 
Adicionar marcadormapa.

Estação das Barcas da Praça XV.


> Dicas e Informações:

As atrações e pontos turísticos citados na matéria podem ser feitos a pé. As estações do VLT Carioca deixam bem próximas. Há muitas outras opções de Museu, Igrejas e atrativos na região, como o Museu Naval; o Arco do Teles (com opções de comida de boteco); Casa Tucum de Artes Indígenas; a Praça Marechal Âncora e o Restaurante Albamar; Centro Cultural da Marinha e, chegando na Candelária, a Casa França Brasil; Centro Cultural dos Correios e o CCBB RJ. 


Matéria publicada em 11/01/2018 e atualizada em 11/04/2026.

Gabriel Carvalho

Gabriel Carvalho

Administrador, viajante, Comissário de Voo por formação na Aviação. Ama o Turismo e já fez intercâmbio em Dublin, na Irlanda. Natural de Petrópolis, reside no RJ e é proprietário do Blog International Route.